Domingo, 24 de Janeiro de 2010

A Rua do Fim


Vou pela rua da direita ou pela rua da esquerda? Talvez pela da direita, pois segundo o pouco que sei da tua vida actual passas muitas vezes por essa parte da cidade. Ou talvez seja melhor ir pela da esquerda, pois na semana passada vi-te lá uma vez mais ou menos a esta hora. Pensando bem, e se ficasse um bocado neste lugar de onde se vêem ambas as ruas? Assim, talvez a possibilidade de te ver aumente um bocadinho… Só que… E se, enquanto eu estou aqui, tu passas lá adiante, na rua da direita? Claro que, com o meu azar, se vou para lá tu passas é na da esquerda ou… ou… o que sei eu? Se calhar não estás sequer na cidade.
Parece mentira, mas faço muitas vezes esse género de especulações e não hesito diante do caminho mais longo se, nesses momentos de delírio, parecer que conduz a um sítio onde talvez estejas ou onde fugazmente passes. São os cálculos de um amor desesperado e triste. Estou a tornar-me uma pessoa completamente patética e ridícula. Talvez o melhor fosse eu desaparecer desta vida. Sim. Nem a rua da esquerda nem a rua da direita são o melhor caminho para mim. A rua do fim é que é a minha rua.
Contudo, à entrada dessa rua existe um sinal a indicar uma proibição total de trânsito. Em vez do círculo branco do costume tem estampadas as caras dos meus filhos.