Vou pela rua da direita ou pela
rua da esquerda? Talvez pela da direita, pois segundo o pouco que sei da tua
vida actual passas muitas vezes por essa parte da cidade. Ou talvez seja melhor
ir pela da esquerda, pois na semana passada vi-te lá uma vez mais ou menos a
esta hora. Pensando bem, e se ficasse um bocado neste lugar de onde se vêem
ambas as ruas? Assim, talvez a possibilidade de te ver aumente um bocadinho… Só
que… E se, enquanto eu estou aqui, tu passas lá adiante, na rua da direita? Claro
que, com o meu azar, se vou para lá tu passas é na da esquerda ou… ou… o que
sei eu? Se calhar não estás sequer na cidade.
Parece mentira, mas faço muitas
vezes esse género de especulações e não hesito diante do caminho mais longo se,
nesses momentos de delírio, parecer que conduz a um sítio onde talvez estejas
ou onde fugazmente passes. São os cálculos de um amor desesperado e triste. Estou
a tornar-me uma pessoa completamente patética e ridícula. Talvez o melhor fosse
eu desaparecer desta vida. Sim. Nem a rua da esquerda nem a rua da direita são
o melhor caminho para mim. A rua do fim é que é a minha rua.
Contudo, à entrada dessa rua
existe um sinal a indicar uma proibição total de trânsito. Em vez do círculo
branco do costume tem estampadas as caras dos meus filhos.
