Penso muito em ti. Dito só assim é um
eufemismo. Na verdade, estou sempre a pensar em ti. Sempre não quer dizer
cinquenta vezes por dia, mas sim todos os minutos. Várias vezes em cada minuto,
se o pensamento não for contínuo e não ocupar o minuto inteiro. Milhares de
vezes por dia, portanto. Penso em ti tal como uma bússola aponta para o Norte. Tal
como o ponteiro da bússola é atraído pelo magnetismo da Terra, os meus
pensamentos são atraídos pela tua pessoa.
Infelizmente, o que está certo para as bússolas
não está certo para os seres humanos. Pensar em ti tão obsessivamente impede
que me concentre de modo profundo e eficaz nos outros assuntos pessoais,
familiares e profissionais que tenho entre mãos. Pensar em ti tão obsessivamente,
aliado ao sofrimento provocado pelo facto de não gostares de mim e pelo facto
de teres sido indecente para comigo, está a prender-me, está a roubar-me a
liberdade e a estragar-me a vida.
Penso em ti e sofro desse modo porque gosto
de ti. Mas o amor não devia ser assim. O amor devia tornar-nos melhores e mais
fortes. O meu amor por ti é uma doença. Uma doença simultaneamente crónica e
aguda. Uma doença incurável e talvez mortal. O meu amor por ti é uma espécie de
cancro na alma.
