Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Bússola doente


Penso muito em ti. Dito só assim é um eufemismo. Na verdade, estou sempre a pensar em ti. Sempre não quer dizer cinquenta vezes por dia, mas sim todos os minutos. Várias vezes em cada minuto, se o pensamento não for contínuo e não ocupar o minuto inteiro. Milhares de vezes por dia, portanto. Penso em ti tal como uma bússola aponta para o Norte. Tal como o ponteiro da bússola é atraído pelo magnetismo da Terra, os meus pensamentos são atraídos pela tua pessoa.

Infelizmente, o que está certo para as bússolas não está certo para os seres humanos. Pensar em ti tão obsessivamente impede que me concentre de modo profundo e eficaz nos outros assuntos pessoais, familiares e profissionais que tenho entre mãos. Pensar em ti tão obsessivamente, aliado ao sofrimento provocado pelo facto de não gostares de mim e pelo facto de teres sido indecente para comigo, está a prender-me, está a roubar-me a liberdade e a estragar-me a vida.

Penso em ti e sofro desse modo porque gosto de ti. Mas o amor não devia ser assim. O amor devia tornar-nos melhores e mais fortes. O meu amor por ti é uma doença. Uma doença simultaneamente crónica e aguda. Uma doença incurável e talvez mortal. O meu amor por ti é uma espécie de cancro na alma.