Domingo, 14 de Março de 2010

Trago-te comigo

Li há tempos esta história algures na Internet e ontem recebi-a por email. Gostava de ser como o monge velho, mas a triste verdade é que sou como o monge jovem: ainda te trago comigo.

Há muito tempo, num país longínquo, dois monges puseram-se destemidamente a caminho de um mosteiro distante. Estava um belo dia de vento e chuva. Iam a pé, avançando lentamente por uma estrada de terra batida muito enlameada e cheia de poças de água.
A certa altura, viram uma mulher que queria atravessar a estrada mas que hesitava, pois percebia que ia sujar o seu bonito vestido comprido na lama. Um dos monges, o mais velho dos dois (tinha quarenta e tal anos, enquanto o outro andava pelos vinte e poucos), aproximou-se da mulher e, depois de a saudar com uma curta vénia e lhe pedir licença, ergueu-a no ar com gestos cuidadosos e respeitosos (evitou que o seu corpo tocasse no dela), e colocou-a do outro lado da estrada. Fez outra vénia, um pouco mais rasgada que a primeira, e assim que ela terminou as palavras de agradecimento retomou a caminhada, seguido de perto pelo outro monge.
Até ao momento em que encontraram a mulher, o monge mais novo tinha-se mostrado alegre e espirituoso, falando pelos cotovelos, mas agora ia calado e respondia com secos monossílabos às questões do companheiro. O seu ar era tão carrancudo que o silêncio se tornou mais sombrio e pesado que o céu, apesar deste ameaçar com uma tempestade. Horas depois, já mergulhados na escuridão da noite e quando o cansaço ameaçava transformar-se em dor, chegaram ao mosteiro. Rezaram e depois lavaram-se e comeram. O monge mais novo manteve sempre o seu silêncio irritado e ostensivo. Quando o seu companheiro já se preparava, com a tigela e a colher na mão, para se levantar é que, sem fitá-lo e com o olhar pregado no chão, finalmente falou:
- Fizeste mal em pegar naquela mulher ao colo. Porventura esqueceste que fizemos um voto de castidade?
O monge mais velho sentou outra vez o corpo meio erguido, pousou devagar a tigela e a colher na madeira velha da mesa e fitou o outro monge com um imperceptível sorriso nos lábios. Observou-lhe primeiro as mãos, morenas e grandes mas sem marcas de trabalho, e depois olhou para dentro dos seus olhos, que logo fugiram para o lado e depois para o chão. Se os monges daquele distante mosteiro não se tivessem já recolhido teriam encontrado doçura e não dureza ou amargura na voz do monge mais velho:
- Eu deixei a mulher na estrada, há horas atrás. Tu ainda a trazes contigo.

14 comentários:

  1. Chove no Mundo
    O céu envolveu o verde com seu manto
    Será que os Anjos andam a brincar com as nuvens
    Ou é apenas um deus que verte seu pranto

    Chove no Mar, água na água
    A maresia ostenta um diadéma de sal azul
    Uma bruma envolve o meu querer
    Há um pronúncio de saudade vinda do sul


    Bom carnaval


    Doce beijo

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  2. Um muito obrigado pelo lindo comentario.
    Gostei muito desta historia (:

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  3. O aprendizado da vida é demorado e difícil.

    Até mais.

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  4. Obrigada pelo comentário - efectivamente, é verdade.
    Deveriam era ser feitos de presente :)*

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  5. A vida é linda!
    Ninguém é responsável por nossa felicidade, me refiro ao post de cima.
    Quem se mata está em profunda depressão, está doente e precisa de ajuda.

    Bjussssss

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  6. Na ação carregamos a pureza ou não da intenção !
    Grande aprendizado.

    Tenha uma linda noite, Vera.

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  7. Ah! pois as mulheres destroem lares e... mosteiros :-))

    Já consegui tempo para adicionar este blog aos links do meu. boa semana

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  8. Bom dia Vera!

    Deixou um pouco de ti no Braille da alma... Agradeço sua visita. Você chegou num momento mega especial! O meu cantinho fez um ano no domingo! Obrigada pelo brinde! Ah! Fique a vontade para pegar o lindo selo de lembrança desta celebração.

    Você é ***VIP***!

    Sigo-te!

    Bjuxxx e xerooo na alma!

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  9. Olá Vera
    Nos post iniciais não tens os comentários activados... ou então o problema é meu.
    Gostei do teu blogue.
    Obrigado pela tua visita. Volta sempre (eu virei cá de vez em quando).
    Um beijo.

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  10. Obrigada pela visita ao olhardeperto!
    Volta sempre, pois mesmo com os dias cinzentos, molhados e frios, aquele cantinho é para acolher quem por lá passar...
    Beijinho terno!

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  11. Será uma metáfora aos casados? os que a mulher carregam e os que a mulher abandonam. :-)) bom domingo

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  12. é nisso que ando a apostar tambem.

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  13. Gostei sinceramente muito do seu texto.
    Aproveito para agradecer ter passado pelo "PALAVRAS SEM JEITO", mas na verdade não lhe sei responder se a diversidade cultural é maior nas mulheres do que nos homens.
    Fica o desafio para brevemente colocar um post sobre o tema.
    obrigado.
    http://palavrassemjeito.blogspot.com

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