Uma diligência prática levou-me ontem a passar ao pé daquele restaurante onde uma vez comemos umas ervilhas com ovos que, apesar de boas, nos souberam ainda melhor do que eram. Lembras-te?
Como era hora de almoço não resisti às recordações e entrei, triste ainda antes de transpôr a porta. Sentei-me ao balcão tal como fizemos dessa vez e, como não havia ervilhas com ovos pedi um dos pratos do dia – arroz de polvo. Estava muito bom e eu tinha muita fome, mas não consegui comer nada. As recordações esmagaram-me.
Não comi, mas bebi o vinho todo, apesar de ter de trabalhar nessa tarde. Antes nunca fazia isso, mas agora bebo sempre o vinho todo. Até à última gota, até que no fundo do copo só reste o meu desespero.
